
Porque será que somos tão impotentes diante de tanta injustiça e maldade? A nossa passividade agora se espalha como vírus por todas as redes sociais e se camufla em compartilhamentos vazios e sem efeito no mundo real. muitos, com isso, infelizmente acreditam piamente que estão colaborando em nome de alguma causa. E através desse gesto de apertar a tecla enter pensam que estão exercendo o seu poder de participação sobre problemas que requerem, ao meu ver, atitudes mais efetivas e contundentes em nosso mundo real. e aqui eu abro um pequeno parêntese para chamar atenção para o efeito colateral e nocivo que esse tipo de gesto pode provocar silenciosamente. muitos ao compartilhar qualquer conteúdo - que na maioria dos casos nem é ao menos visto com muita atenção - acreditam inconscientemente, ou não, que estão exercendo a sua atitude de cidadão consciente e "engajado", e com isso se eximem da responsabilidade de encarar e atuar sobre o problema real repassando o seu dever para outrem. para mim é uma forma muito eficaz e cômoda de camuflar a nossa covardia e passividade. seria como se você fosse um médico que se depara com uma pessoa desmaiada no meio da rua que precisa de atendimento naquele instante, e ele então espera que outro venha cumprir uma obrigação que se circunscreveu-se para ele. e quando chega o bombeiro, ele vira para o mesmo e diz que a vítima parece ter sofrido de algum mal súbito (como se isso não fosse algo notório até mesmo para aqueles que não tem o conhecimento de um médico!), e com isso, o infeliz acredita ter cumprido o seu dever como cidadão ao passar o sintoma aparente para o bombeiro. Dentro dessa situação apresentada reside um problema seríssimo que é o que pretendo descrever de modo bem sucinto: 1)Há um "ato menor"(descrever o sintoma) que "encobriu" o "ato maior" que seria a possibilidade do médico ter prestado os primeiros socorros na vítima. No calor do momento esse tipo de conduta pode se manifestar de diferentes modos. Mas infelizmente a mulher morreu nos braços do bombeiro, e este bravo homem se sentiu culpado por ter presenciado a morte diante do seus olhos e não ter feito nada que pudesse evitá-la. a sua consciência atuou diferentemente do médico. esse último, que tinha o saber e o poder de naquele instante ter atuado para evitar a morte daquela mulher, optou por uma atitude mais cômoda que trouxe um problema muito maior para a vítima e consequentemente para o bombeiro, este que não tinha conhecimento médico algum, mas que tentou resolver aquele incidente. Essa analogia serve para nos mostrar uma face que sempre está escondida em nós diante de diversas situações limites que o destino desenha em nossos caminhos. Ao apertar a tecla enter, por exemplo, muitos de nós acaba agindo como o médico que detinha o poder e o saber para mudar uma situação, mas que covardemente utilizou um subterfúgio que produz o efeito de repassar a sua responsabilidade para o outro. Antes que alguém venha me criticar aqui, eu gostaria de dizer que não posso negar o grande poder de comunicação que a internet trouxe para o nosso mundo, mas ela é apenas uma ferramenta que precisa ser utilizada com muita cautela ao lado de uma participação mais sólida e ativa. continuo depois...




